Início

Clube
História

Fundação

Fundadores

Sócios

Representativos

Honorários

Paul Harris
Conselho Diretor 2009-2010
Galerias

Ex-Presidentes

Fóruns de Ética

Atividades do Clube

Secretaria
Downloads
Cyber Recuperação
Contato
 

 

  HISTÓRIA DO ROTARY NO BRASIL

           OLAVO ALBERTO DE CARVALHO

 

Embora os primeiros passos para a introdução de Rotary no Brasil tivessem sido dados em 1916, somente em 1922 (dezembro) é que se conseguiu a adesão de dezesseis profissionais, de classificações diferentes, dispostos a integrar o Rotary Club do Rio de Janeiro, que conseguiu a aprovação de Rotary International.

 Em 1920 houve a primeira tentativa que o Rotary International recusou em virtude de o quadro social estar integrado exclusivamente por cidadãos americanos aqui residentes. A ética da historiografia exige que os fatos relatados e as afirmações do narrador estejam amparados em provas documentais, mas, da minha parte, não consigo sopitar a formação analítica do meu espírito, pela necessidade que sinto de penetrar nas causas favorecedoras, modificadoras ou impeditivas dos acontecimentos.

Assim, tomo de mim mesmo, vênia para concluir, pelos vai-vens do processo formador e pelas personagens que o lideraram, que a demora havida na formação do Rotary Club do Rio de Janeiro, foi devida, de um lado, ao radicalismo nacionalista imperante entre os brasileiros, na época, e, de outro lado, à exagerada tendência de os americanos residentes permanecerem agrupados e isolados e, no particular, amparados na afirmação de que "o espírito de Rotary não seria aceito pelos latinos", emitida por dois delegados do Rotary International que haviam fracassado na fundação do Rotary Club de Havana, anos antes.

Herbert Coates, embaixador dos Estados Unidos em Montevidéu, no Uruguai, e Recorde Monnsen, seu colega no Rio de Janeiro, trouxeram, em 1916, de Chicago, a atribuição de fundarem Rotary Clubs nas sedes das suas embaixadas. Coates o conseguiu, em 1918 e, em 1922, veio ao Rio de Janeiro como representante do Rotary International e, apoiado por alguns integrantes das duas tentativas anteriormente malogradas, conseguiu fundar o Rotary Club do Rio de Janeiro, sob a presidência de João Thomé Saboya e Silva, filiado em Rotary International a 28 de fevereiro de 1923.

Somente Herbert Moses, dentre os anteriormente interessados, participou entre os fundadores e Recorde Monnsen, responsável pela fundação em 1916, só ingressou no clube em novembro de 1923.

O Club cresceu rapidamente, pois em 1924 já se compunha de 45 sócios. O Brasil foi, assim, o quarto país da América do Sul e o sexto da Ibero-América a sediar Rotary. Antes de nós estavam pela ordem: Cuba, México, Uruguai, Argentina e Peru. Em 29 de fevereiro de 1924 instalou-se o Rotary Club de São Paulo, segundo do Brasil, que só um ano depois, a 24 de março de 1925, conseguiu filiação em Rotary International. Dos seus estatutos constavam reuniões quinzenais e o Rotary International exigia que fossem semanais. Embora modificando os estatutos, os Rotary Clubs brasileiros só passaram a realizar reuniões semanais em 1929. Em 26 de fevereiro de 1927 funda-se, com 25 sócios (o mais numeroso no ato da fundação), filiado em Rotary International, a 21.05.1927, o Rotary Club de Santos, apadrinhado pelos outros dois Rotary Clubs anteriores e por eles assistido. O 41 Rotary Club brasileiro surgiu pouco depois em Belo Horizonte a 13 de setembro de 1927, filiado a Rotary International sob o nº 2.701 em 10 de novembro de 1927. No mesmo ano funda-se ainda o 5° Rotary Club brasileiro de 1927, em Juiz de Fora, a 9 de novembro, filiado em Rotary International em 10.01.28. Em 1928 fundam-se Rotary Clubs em Niterói, Petrópolis, Campos, Porto Alegre.

A depressão econômica, que, aliás, foi generalizada por todo o mundo ocidental, terá sido uma das prováveis determinantes da brusca retração no surgimento de novos Rotary Clubs, no vasto território do Brasil; em 1929 e 1930, apenas 2 Rotary Clubs se fundaram nesse período: os de Ribeirão Preto e Nova Friburgo.

No entanto, a razão maior, que chegou a ameaçar o rotarismo no Brasil, foi, sem sombra de dúvida, o decreto-lei 330, de 18.04.38 da Presidência da República, que proibia "organizar, criar ou manter sociedades, fundações, companhias, clubes e quaisquer estabelecimentos de caráter político, ainda que tenham por fim exclusivo a propaganda ou difusão entre os seus compatriotas de idéias, programas ou normas de ação... a mesma proibição estende-se a sucursais...". O primeiro impacto desse decreto-lei foi a possibilidade funesta de que fossem obrigados a encerrar as atividades todos os Rotary Clubs então existentes. Com esforço do Rotary Club do Rio de Janeiro e a boa vontade do Ministro da Justiça de então, conseguiu-se contornar a situação substituindo nos estatutos dos Rotary Clubs, a palavra "filiação" (ao Rotary International) por "cooperação".

A partir de 1931, pois, ressurgiu o entusiasmo pela expansão, com raras e espaçadas oscilações. Hoje ocupamos o 3~o lugar no mundo em número de clubes, superados pelos Estados Unidos e Japão.

Seria imperdoável, no encerramento deste instantâneo do assentamento do rotarismo no Brasil, omitir o nome do bondoso, hábil, dinâmico e eficiente Jim Roth, funcionário do Rotary International com atribuição específica de expandir a malha de Rotary Clubs, estruturá-la e excitar, orientar e divulgar o espírito de serviço, cerne e motor dos propósitos de Rotary em favor da compreensão entre as nações. Jim, californiano, de aproximadamente 40 anos, veio ao Brasil em 1928. Percorreu 280.000 quilômetros, a serviço de Rotary; organizou e fundou 83 Rotary Clubs e ajudou na fundação de 12, totalizando 95. Organizou e supervisionou rodas as conferências distritais aqui realizadas durante a sua permanência, desde a primeira do Distrito 63 (Brasil, Argentina e Uruguai), no Rio de Janeiro, em 1929. Assistiu a quantos problemas foi solicitado com o seu magnetismo pessoal e espírito conciliador. Recolheu- se à Secretaria do Rotary International em 1942 e, logo em seguida, aposentou-se. Tive o privilégio de conhecê-lo, quando fundamos o R.C. de Irati em 1941.

OS DISTRITOS BRASILEIROS

O Sistema Administrativo de Rotary International, dividindo o mundo rotário em Distritos, isto é, territórios englobando certo número de Rotary Clubs, remonta da Convenção de 1915 em São Francisco - Califórnia. Obviamente, ao tempo da fundação dos primeiros Clubs na América do Sul eles estariam em zona não distritada. Só em 1927 foram criados dois distritos com os Rotary Clubs da Ibero-América. Ficaram o Brasil, o Uruguai e a Argentina agrupados no Distrito 63, durante os anos rotários 1927/28 e 1928/29 sob, respectivamente, as governadorias do uruguaio Donato Caminara e do argentino Cupertino Dei Campo.

No ano rotário 1929/30 já os Rotary Clubs brasileiros passaram a compor o distrito 72 que abrangia todo o nosso país. Essa posição permaneceu, sem alteração, sob a responsabilidade de um só governador a cada ano, até 1938, quando o distrito foi dividido em 4 seções sob a administração geral de um governador e a colaboração de três assistentes. Cada um deles respondia por uma das seções. Sob as condições primitivas daquela época não era possível uma assistência satisfatória aos clubes, enormemente distantes e impossibilitados de comunicação eficiente entre si. É, pois, fácil imaginar a força da disposição ao servir e a determinação que sustinha o caráter dos companheiros que se prontificavam assumir a governadoria do distrito 72, mesmo dividido em quatro seções.

Embora, pois, inoportuno neste breve relato, a enumeração de todos os governadores de distritos rotários, permito-me homenagear, citando os nomes, aqueles que mais se destacaram entre os dez primeiros: Edmundo de Carvalho (1929/30), do Rotary Club de São Paulo; Miguel Arrojado Lisboa (1930/31), Samuel Augusto Leão de Moura (1931/32), do Rotary Club de Santos; Lauto Borba (1933/34) do Rotary Club de Recife; Armando de Arruda Pereira (1935/36) do Rotary Club de São Paulo e Luis Dias Lins (1938/39), do Rotary Club do Recife, auxiliado por 3 assistentes.

A partir do ano rotário 1939/40 as quatro seções do distrito 72 passaram a constituir-se nos distritos 26, 27, 28, 29. Em 1943 o distrito 28 se desdobrou, acrescentando ao Brasil o distrito 41. Os desdobramentos se sucederam à medida que aumentava o número de Rotary Clubs. Em 1944, já éramos seis distritos, em 1947, sete: 26, 27, 28, 29, 41, 43 e 72 novamente, que permaneceram ainda durante 1948/49. Em 1949 o Rotary International recenseou os distritos mudando- lhes a numeração e continuamos com sete distritos sob o números: 117, 118, 119, 120, 121,123 e 124, até o ano de 1951. Em 1952, novo desdobramento e passamos a ser oito distritos; em 1954, nove, em 1956, dez; em 1958, 12; desde o ano anterior com outra série de numeração: passamos para a centena quatrocentos. Após onze anos, em 1969, continuaram a acontecer os desdobramentos: passamos a quatorze distritos. Em 1970, quinze; em 1971, dezoito; em 1973, dezenove; em 1974, vinte; em 1977, vinte e dois; em 1981, vinte e quatro; em 1985, vinte e seis; em 1986, vinte e sete; em 1988, vinte e oito; em 1989, vinte e nove; em 1990, trinta e um; em 1991, trinta e quatro e em 1992, trinta e seis, que, há dois anos atrás, receberam no final da numeração, um zero, passando assim à designação numérica do milhar. Somos, pois, hoje detentores de 45,57% dos distritos rotários na região da SACAMA.