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 P L A N T A ,    G R A L H A -AZUL !

 

      Anita Zippin

 

 " Se é um sonho, então acredita"

 (  Mae West)

 

 Num final de tarde igual a tantos outros, no meio do burburinho de uma cidade sorriso em vias se completar mais um ano, toca o celular.

Ao fundo, uma voz tonitroante e calma me faz puxar 20 anos da memória. É um desafio!

Aldaci Capaverde me convida para a Comemoração dos 20 anos do Rotary Club Curitiba Gralha-Azul.

Procurei tantos pelas lembranças, fui longe, voltei, gostei da viagem ao passado , revi momentos inesquecíveis, abracei muitos, agradeci a  tanta gente , tudo em segundos, sem tirar o celular do ouvido.

Entrei no túnel do tempo!

Fui até a casa do Petraglia, quando eu e Ana esperávamos os maridos que tinham ido á reunião semanal do Rotary Club Curitiba Sul. Chegaram os companheiros animados, sempre gentis e pediram que nós duas nos sentássemos que eles queriam ouvir a nossa opinião.

Era 1989, quando duas profissionais americanas tinham ganho na Justiça o Direito de serem admitidas em Rotary Internacional, até então, só de homens.

Ouvimos a tenacidade de ambos. Não estavam a nos convidar, uma empresária e uma advogada para ingressar no clube deles, porque tinham naquela reunião sentido resistência dos tradicionais.

Iam mais longe! Estavam prontos para apadrinhar um Rotary Club com mulheres, sendo os pioneiros no Brasil. Quem sabe, até no mundo.

Gostamos da  idéia, mas como tudo, precisava ser colocado em prática.

Marcaram mais algumas reuniões com Wilma, Zizi, a do Clube das Abelhinhas,  e outras senhoras de rotarianos que  tambérm eram profissionais atuantes.

Primeira reunião, Restaurante Palumbo, no coração do Batel, o mais badalado da época.

Estava Aldaci na linha de frente a firmar  e endossar o Pioneirismo.

Outras chegaram ressabiadas, nem todas tinham o privilégio de saber o que era Rotary Internacional, através dos maridos.

Muitas reuniões semanais, algumas até exaustivas, senhoras chegando, algumas desistindo. Mas aquelas que tinham na alma o ideal de servir, deram vitalidade para o grande desafio.

Nasceu? Qual o nome?

Dois nomes estiveram na eleição democrática naquele recanto especial. Graciosa, por causa da Estrada da Graciosa e Gralha-Azul. Esta segunda sugestão, de inteira responsabilidade minha.

Escritor sempre inventa moda.

Algumas senhoras falavam que não , porque Gralha-Azul, daria motivo para  dizerem  que mulher fala demais, como umas gralhas.

Eu defendia o nome, dizendo sempre, esta gralha planta!

Empate entre Graciosa e Gralha-Azul. De repente, uma senhora que chegou atrasada e pegou o bonde andando. Falei o que tinha se passado e ela se manifestou: Gralha-Azul.

Esta profissional é a Presidente Número Um  deste clube de serviço, a Companheira Wilma .

29 de março de 1990 , sob forte emoção, os padrinhos Marco Antonio, Petraglia, e tantos outros entregaram a Carta Constitutiva, numa grande solenidade, desta vez na Mansão da Glória, o Bufê mais fino de Curitiba, moldura de grandes momentos da sociedade paranaense.

E a grande surpresa!

Quando poderiam falar que tinha nascido um clube só de mulheres, naquele momento, eram empossados o Roberto, o Hamilton e o Ênio.

Nas outras reuniões, naquele lugar mágico, hoje um apanhado de prédios , nasceu o primeiro projeto "Adote um Velho. De preferência o Seu", slogan de minha autoria, que consiste em fazer a diferença entre Velho e Idoso. Velho o que ninguém quer, Idoso o de idade avançada, mas sempre protegido pelos familiares e pela comunidade.

Logo, o Roberto que é Oftalmologista criou debaixo daquele teto, numa grande noite de inspiração, o Programa Boa Visão, levando a tantas escolas o exame de vista aos alunos carentes.

Em novo endereço, o Rotary Club Gralha Azul teve reunões memoráveis,nascendo num dos momentos o livro "Quem Mata Índio"? de autoria do médico- humanista Moisés Paciornk, ele também rotariano, além da esposa Helena e da filha Siomara virem somar esforços como pioneiras deste clube de serviço.

Para que o livro fosse publicado, coloquei debaixo do braço e atravessei a rua do Hotel  Del Reyonde nos reuníamos, seguindo   até o Bamerindus, sendo recebida pela empresária  Maria Cristina Andrade Vieira. Expliquei os motivos da publicação, que a renda seria revertida para ambulatórios em comunidades indígenas do sudoeste do Paraná, conforme pedia o autor. Bem como que a responsabilidade do programa, ficaria a cargo do Rotary Gralha Azul, especificamente de Aldaci Capaverde, a Segunda Presidente, quem se dedicou de corpo e alma á grande união da Literatura com a Bondade.

Vi fluirem estes e outros projetos arrojados, bem como diversas companheiras rotarianas sempre tiveram destaque junto á Governadoria, destando Silvia, em nome de tantas que assumiram compromisso , doaram tempo e competência pelo Ideal de Servir.

Passados 20 anos, um filme colorido veio à minha frente. Pode não ganhar o OSCAR, mas tem todos os predicados, em especial, um apanhado de rostos unidos numa roda dentada, trabalhando pelo bem comum.Todos numa  frondosa árvore.

 

Árvore daquela sementinha do Ideal de Servir dos companheiros Marco Antonio, Petraglia e tantos que aplaudiram a Mulher, a Profissional em Rotary Internacional.

´
Arvore de Amor ao Próximo, muitas vezes sujeita ao vento, às tormentas, ao sol, ora a querer se vergar, mas logo fica firme como suas raizes.

 

Árvore de Coragem e Sensibilidade, sempre erguida pela grande causa, a mesma que um dia,idealizou  o primeiro Rotary Internacional, o primeiro Lions Club ,a Maçonaria e tantos outros lampejos de lucidez, forma expressa de que o Bem sempre vence.

 

Arvore Frondosa, com alguns frutos e tantos por vir. Regada semana a semana, dia a dia, hora a hora pelos idealistas que ousaram, ousam e , uma vez mais ousarão orgulhosamente cativar a  Gralha Azul.

 

Árvore desprezada por alguns, mas procurada por tantos que recebem abrigo, fazendo lembrar Saint Exupery; "Você é responsável por aquilo que cativa"

 

Assim, companheiros, companheiras, personalidades presentes a esta grande comemoração.

 

Esta foi a minha viagem pelo túnel tempo!

 

Para realizá-la precisei de cada um dos que aqui estão quer nesta grande festa, quer pessoalmente, quer em pensamento.

 

Agora posso contar! A nossa árvore é um PINHEIRO.

 

Elevando-se como uma enorme taça, brindo a todos que caminharam nestes 20 anos, permitindo que existam mais passeios pelo Rotary Club Curitiba Gralha-Azul, até a Eternidade!

 

Até lá ...Planta , Gralha Azul! Planta!

 

(ANITA ZIPPIN, ADVOGADA, JORNALISTA, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO MUNDIAL DE PERIODISTAS E ESCRITORAS, ORADORA DA ACADEMIA DE LETRAS JOSE DE ALENCAR E MEMBRO FUNDADOR DO ROTARY CLUB CURITIBA GRALHA-AZUL)